Culex SPP.virus do nilo
A ovipostura é realizada em recipientes que contenham água limpa ou poluída, dentro ou fora das casas. Os ovos são depositados sobre a água de maneira
aglutinada, de modo a formar uma minúscula jangada. De dois a quatro dias após a ovipostura, há a eclosão. A larva apresenta sifão respiratório e se mantém oblíqua à superfície da água. O desenvolvimento larval pode durar de dez a 20 dias. Após esse período surge a pupa, que dentro de um a três dias dá origem ao inseto adulto. O Culex é um mosquito pequeno que tem cor de palha. Suas asas não têm manchas e o seu dorso é pardo-escuro com escamas amarelas. As fêmeas são hematófagas e há muitas espécies antropofílicas. Elas permanecem em repouso durante o dia e começam sua atividade ao crepúsculo. Durante o pouso, o inseto mantém o corpo paralelo à superfície, e a cabeça em ângulo reto. Apresenta várias espécies que buscam casas como local de abrigo habitual, como o Culex quinquefasciatus. Ele possui grande capacidade de vôo, podendo percorrer vários quilômetros de distância.

Importância e prevenção
Durante a hematofagia o inseto causa desconforto, insônia e até irritabilidade, principalmente quando o número de insetos é grande. A picada também pode provocar reações alérgicas oriundas de proteínas e peptídeos presentes na saliva do inseto. Os mosquitos deste gênero podem inocular agentes de importantes doenças infecto-parasitárias como Wuchereria bancrofi, que causa a filaríase linfática, também conhecida como elefantíase. Também estão envolvidas na transmissão de arboviroses como as encefalites virais e a Febre do Oeste do Nilo. Logo, a prevenção ou a eliminação dessa doença está relacionada ao controle do vetor e ao tratamento dos doentes. Assim, é necessário controlar o mosquito com o uso de telas nas portas e janelas, mosquiteiros, inseticidas e repelentes. Qualquer dessas medidas de controle deve ser realizada criteriosamente, para evitar intoxicação humana pelos inseticidas. Outras medidas importantes e de impacto coletivo são o saneamento urbano e a drenagem de banhados. Essas medidas contribuem diretamente no controle do inseto e nas doenças vetoria das pelos mesmos em áreas de maior concentração humana.

Vetores e a Introdução do Vírus do Oeste do Nilo
Outra forma de introdução de um agente de doença é por introdução de um vetor. Vetores podem ser ou vetores biológicos que são pesistentemente infectados e permitem o desenvolvimento e reprodução do patógeno, ou vetores mecânicos nos quais o patógeno habita por um curto período. Devido ao fato deles serem infectados persistentemente, é mais comum os vetores biológicos introduzirem os agentes de doenças exóticas animais em novas áreas do que vetores mecânicos. Um exemplo de um agente de doença que há suspeita que foi introduzido para uma nova área por um vetor biológico, é a introdução do Vírus do Oeste do Nilo no nordeste dos E.U. por um mosquito vetor.

O Vírus do Oeste do Nilo (WNV) causa encefalites em humanos, cavalos, e aves. A doença está presente na África, Europa, Oriente Médio, oeste da Ásia e Ásia central, e Oceania, mas só recentemente foi introduzido nos E.U. Culex spp. e Aedes spp. são os mosquitos vetores que são capazes de transmitir o vírus nos E.U. Assim como os surtos ocorridos da Febre Aftosa (FMD), autoridades estão perguntando como o WNV foi introduzido nos E.U. Cientistas juntamente com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças suspeitam que o vírus estava presente nos E.U. no mínimo no início do verão de 1999. O ponto de origem do vírus não está claro, mas vírus isolados nos E.U. assemelham-se mais com cepas virais do Oriente Médio. Um cenário possível para a introdução é que um mosquito vetor infectado de uma área endêmica viajou para os Estados Unidos em um avião e foi inadvertidamente solto, introduzindo o vírus em populações de aves nativas.

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Várias espécies de pássaros podem servir como reservatórios do WMV. Até o momento, mais de 70 espécies de pássaros, predominantemente corvídeos, apresentaram teste positivo para o WMV desde que a doença foi reconhecida. Aves com infecção severa sofrem de taxas altas de morbidade e mortalidade, mas tipicamente desenvolvem imunidade após exposição e uma curta viremia. Os mosquitos adquirem o vírus quando se alimentam na ave reservatório infectada. Assustadoramente, alguns Culex spp. adultos no nordeste dos E.U. sobrevivem o inverno e portanto são capazes de causar a sobrevivência do vírus. Muitos mamíferos, incluido humanos e cavalos, são hospedeiros eventuais que se tornam infectados quando um mosquitos infectado se alimentam neles. Apesar de mamíferos não desenvolverem níveis de viremia suficiente para infectar mosquitos, e portanto não podem servir como reservatórios, a infecção em mamíferos pode resultar em meningoencefalite severa e potencialmente fatal.